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  • sabrinacorrea1

As últimas empresas serão as primeiras na Cultura de Sustentabilidade?

Sim, as últimas empresas a assumirem a cultura serão as primeiras a sofrer impactos com a mudança de direcionamento do mercado. Neste artigo apresentamos uma síntese de acontecimentos que indicam a aceleração da Cultura de Sustentabilidade nos negócios e qual o primeiro passo para você compreender o impacto na sua empresa.




Não é de hoje que a Sustentabilidade vem tomando um protagonismo diferente nos negócios. A Sustentabilidade Corporativa teve seu marco inicial em 1994. quando John Elkington apresentou o conceito de Triple Botton Line - TBL ou tripé da sustentabilidade. TBL é uma série de aspectos sociais, ambientais e econômicos da empresa que se relacionam com o ecossistema externo, gerando impactos à sociedade e ao planeta e que por fim, refletem em riscos de volta para os negócios.


Desde então, em paralelo com o avanço do conceito, agenda das Nações Unidas, acordos e regulamentações, a Sustentabilidade Corporativa vem se desdobrando não mais apenas como uma agenda ética, mas como uma gestão estratégica eficiente e econômica para a perenidade dos negócios. Segundo Harvard Business School (2021), empresas com práticas de sustentabilidade e ESG dão 9% a mais de retorno no longo prazo. Isso acontece porque em geral possuem uma gestão de riscos eficaz atrelados aos aspectos ambientais e sociais e, aproveitam melhor as oportunidades gerando valor com estratégias de sustentabilidade.


Além do mais, existem duas grandes forças que impulsionam os negócios a se enquadrarem nesta demanda.

A primeira delas são a intercorrelação das crises econômicas, sociais e ambientais que estão sendo enfrentadas em todo o globo, e que estão sendo potencializadas pelas mudanças climáticas.

A segunda é o próprio crescimento econômico e inovação tecnológica, que também sofrem influência pelo contexto acima mencionado, renovando um novo direcionamento para o ciclo econômico e de inovação.


Muitos economistas acreditam que estamos em uma sexta onda de inovação e que este ciclo será alimentado por avanços na área de biotecnologia, nanotecnologia e tecnologias verdes. O crescimento econômico será desencadeado por maior produtividade no tratamento de questões de saúde e por uma maior preocupação com um desenvolvimento inteligente e consciente. As tecnologias-chave que provavelmente serão os impulsionadores da 6ª onda já estão em vigor e incluem principalmente robótica, automação, digitalização e sustentabilidade.



Fonte imagem: Freman (1996), Desha e Hargroves, 2011 , Seebode et al., 2012 e Di Sério e Silva (2016)


Segundo Silva e Di Seori (2016), “movimentos no mercado indicam que uma nova onda de inovação está chegando, impulsionada pelo esgotamento do atual modelo de capitalismo e a necessidade de reconfiguração em torno das atuais necessidades ambientais e sociais, formando assim o que seria a sexta onda de inovação e neste contexto, a discussão de sustentabilidade força em todo mundo, levando as empresas e o mercado ao que parece ser um novo design dominante, fundado na sustentabilidade como pré-requisito para os produtos, serviços e processos”.


Alguma dúvida que já vivemos essa nova onda e que a sustentabilidade está na direção? Pode acreditar, ela ainda está só no começo. No entanto, uma série de acontecimentos recentes está gerando uma propulsão cada vez maior do tema, movimentando o mundo dos negócios de modo exponencial. Listamos os principais abaixo:


1. Carta da Black Rock em 2020, pandemia e o avanço ESG

O ESG teve seus princípios disseminados no início dos anos 2000, mas ganhou atenção a partir de 2020 quando uma gigante gestora de recurso financeiro, Black Rock, anunciou critérios de aspectos ambientais, sociais e de governança para os seus investimentos, e se tornou propulsor da agenda junto com a pandemia que jogou luz no tema por escancarar as desigualdades sociais e, do quanto é desafiador o enfrentamento das mudanças climáticas que afetam a sociedade e o sistema econômico.


2. Eventos climáticos extremos e suas consequências

Apesar de 30 anos de diplomacia e defesa do clima global, a falha potencial em lidar com esse problema existencial global entrou pela primeira vez no topo do ranking do Relatório de Riscos Globais em 2011 (WEF, 2023), e desde então, tem ficado entre os principais riscos para um colapso econômico.


De acordo com o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), a chance de não atingir a meta de limitar a temperatura do planeta em 1,5ºC até 2030 é de 50%. Praticamente já atingimos 1,2°C a mais na temperatura e, este aquecimento do clima aumenta a ocorrência de eventos climáticos extremos.

Como vimos em 2022, enchentes e destruição pela quantidade de chuva nos estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais, São Paulo, Espírito Santo, Pernambuco, Bahia, Paraná e Santa Catarina. Ondas de calor e frio extremos na Europa e EUA. Enchentes também na China e Paquistão, dentre outros efeitos como tornados e queimadas em outras regiões do globo. Inclusive, desastres naturais foram considerados o segundo risco mais grave para a economia nos próximos dois anos (WEF, 2023). Qualquer retrocesso dos governos e da ação privada continuará a amplificar os riscos para a saúde humana e estimular ainda mais a deterioração do capital natural.

As consequências das mudanças climáticas não param por aí. Segundo o primeiro Relatório Global sobre Recursos Hídricos da Organização Meteorológica Mundial (OMM, 2021), o mundo esteve mais seco do que o normal em 2021, impactando economias, ecossistemas e a vida da população. E ainda teremos de lidar com aumento de doenças infecciosas, pois há um estudo publicado que 58% dessas doenças parecem ser agravadas por um dos 10 tipos de eventos extremos ligados às mudanças climáticas (Nature Climate Change, 2022).


3. Guerra na Ucrânia e outros conflitos

Conflitos geoeconômicos é o terceiro risco mais grave para a economia dentro dos próximos 2 anos, um dos reflexos da guerra entre Rússia e Ucrânia que em breve completam 1 ano, e também por outras tensões existentes entre países, bem como rivalidades pelos recursos ambientais. A dependência do fornecimento energético russo impactou a Europa e gerou tanto retrocesso quanto maior urgência na transição para uma matriz energética limpa.


4. Progresso da COP do Clima e da Biodiversidade

As negociações dos estados das Nações Unidas pelo clima seguem avançando. Em 2022 aconteceu a Conferência das Partes (COP) de n° 27, com o resultado de consenso na criação de um fundo global para direcionar recursos financeiros aos países mais vulneráveis e que menos contribuíram para as emissões de gases do efeito estufa que causam o aquecimento global. No ano de 2022 também ocorreu a COP15 da Biodiversidade, criando o Marco Global da Biodiversidade com 23 metas para firmar compromisso de interromper a perda de biodiversidade biológica e promover a restauração da natureza.

Apesar das COP’s serem destinadas para negociação entre estados, a participação da iniciativa privada vêm aumentando, assim como da sociedade civil, tanto para cobrar soluções mais efetivas como para apresentar as soluções que estão sendo implementadas através do empreendedorismo, afinal de contas estes são os atores principais da economia, e em número os mais afetados pelas crises.


5. Novo mandato do governo Lula

Enquanto o governo Bolsonaro foi marcado por desestruturar e enfraquecer os aspectos sociais e ambientais em seu governo, Lula assumiu a posse do mandato com um discurso enaltecendo o potencial natural do Brasil para uma liderança mundial em economia ecológica e no enfrentamento da crise climática. Além disso, também enfatizou nosso diferencial em diversidade cultural, capaz de se tornar exemplo mundial em lidar com as diferenças sociais e inclusão, que hoje é um dos desafios dos aspectos sociais dentro das empresas. Apesar de ser um ser um momento de governança federal cheio de incertezas, a disseminação da sustentabilidade pelo governo vai incentivar a transição verde e social e, os negócios que surfarem na onda vão atrair muitas oportunidades.


6. Novas regulamentações na Europa

A Europa é o continente mais avançado na agenda ESG e segue criando instrumentos para que se torne em definitivo a nova forma de fazer negócios. Recentemente aprovou novas regras para que empresas se tornem obrigadas a fornecer divulgações de sustentabilidade empresarial e introduzir requisitos de relatórios mais detalhados sobre os impactos da empresa no meio ambiente, direitos humanos e padrões sociais e, riscos relacionados à sustentabilidade. A partir de 2024, o número de empresas que se enquadram nessa regra passará de 12.000 para 50.000, sem contar as grandes empresas fora da Europa, as quais também serão exigidas que essas informações de sustentabilidade sejam relatadas por auditoria independente.

Essa nova exigência afetará não somente as empresas que exportam, mas também toda a sua a cadeia de fornecimento, uma vez que os aspectos ESG medem todo o ecossistema e stakeholder do negócio.


7. Escândalo das Lojas Americanas

O ano de 2023 começou com uma sacudida para as empresas listadas na bolsa de valores brasileira, a B3, com participação no Índice de Sustentabilidade (ISE), devido ao escândalo das inconsistências contábeis de R$20 bilhões das Lojas Americanas. Isto trouxe à tona a lembrança que ESG vai além dos aspectos sociais e ambientais, mas também a importância dos aspectos de Governança Corporativa. Para aqueles que aprendem com o erro do outro, com certeza demandará muito movimento e investimento em torno deste risco para evitar maiores impactos em sua reputação.


8. Davos e inteligência artificial

A agenda econômica global anual começa a ser movimentada pelo Fórum Econômico Mundial de Davos, cujo tema deste ano foi “Cooperação em um mundo fragmentado”. A Reunião Anual reúne líderes do governo, empresas e sociedade civil para abordar o estado do mundo e discutir as prioridades para o próximo ano, envolvendo diálogos construtivos e voltados para o futuro para ajudar a encontrar soluções por meio da cooperação público-privada.

Apesar de terem trazido o foco para o número de crises em curso que exigem ação coletiva ousada, a atração ficou para a apresentação do ChatGPT, uma tecnologia de inteligência artificial. A tecnologia funciona aprendendo com grandes quantidades de dados para responder a qualquer solicitação de um usuário de maneira humana, oferecendo informações semelhante a um tradicional mecanismo de busca ou produzindo prosa como um aspirante a romances.

Sem dúvida, a corrida por mais tecnologias de inteligência artificial vai inundar os negócios em curto prazo, gerando impactos positivos e negativos nos aspectos econômicos e sociais.


9. A evolução da consciência humana

E por fim, o mais importante, a evolução da consciência humana. Afinal, por trás de todos estes movimentos existem pessoas. A economia e os negócios existem para servir o ser humano. Mesmo que, ainda para muitos a existência se resume em um único objetivo final, o lucro a todo custo, só é possível atingir resultado com a ajuda de pessoas atendendo aos seus interesses e servindo interesses de outras pessoas. Os interesses e necessidades das pessoas, especialmente das gerações mais novas, estão mudando. Por trás dos agentes da economia estão seres humanos em suas funções de consumidores, investidores, fornecedores, colaboradores e comunidade, buscando a autorrealização pessoal em viver com propósito!

Segundo uma pesquisa global Elementos de Valor, da Bain & Company, as empresas mais bem-sucedidas atendem às demandas do consumidor em questão de qualidade e sustentabilidade. Clientes querem produtos sustentáveis de empresas sustentáveis (Nielsen, 2019).

É por isso que, a grande chave para os negócios enfrentarem o futuro é criar o valor social e o valor econômico ao mesmo tempo — e com credibilidade.


É certo que as empresas não conseguem promover uma transformação cultural e inserir a pauta ESG em sua estratégia e modelo de negócios da noite para o dia. No entanto, aquelas que decidirem aguardar pela regulamentação mais rígida, que as obrigue a agir, correrão o risco de não ter tempo hábil de fazer esse movimento de forma estruturada, colocando o negócio até mesmo em riscos maiores. Temos urgência na jornada!


Se você chegou até aqui na leitura, é porque quer saber: Por onde devo começar?


O primeiro passo é você compreender o momento do seu negócio e todo o seu ecossistema a partir da perspectiva e tendências de sustentabilidade corporativa e suas relações, para que seja possível traçar estratégias para a realidade que sua empresa se encontra hoje.


Aqui na Mutação Sustentável temos a solução de Diagnóstico de Sustentabilidade incluindo a materialidade e conexões com os principais padrões de indicadores utilizados para comunicar a Sustentabilidade Empresarial. Com este resultado você terá clareza quais são as relações existentes que a sua empresa tem com os aspectos ambientais, sociais e de governança, os ricos e as oportunidades, além de recomendações que podem ser aplicadas com recursos disponíveis no presente. Com isso, é possível dar continuidade na jornada enquanto planeja rotas estratégicas de curto, médio e longo prazo.

Não importa o ritmo da partida, ter este autoconhecimento de sustentabilidade empresarial é essencial para que o futuro do negócio não seja mais deixado de lado.

Afinal, quanto mais as companhias forem capazes de entregar ações que reflitam valores contemporâneos positivos envolvendo consumidores, colaboradores e comunidade, maior será a capacidade lucrativa no longo prazo. Uma empresa incapaz de se tornar ativa em aspectos humanitários será deixada para trás nos negócios.

Não deixe que a seu negócio esteja nesta fila, entre em contato conosco agora que vamos facilitar este processo!





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